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MAC - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
RAIMUNDO DE OLIVEIRA - FEIRA DE SANTANA/BAHIA
de 25 de julho a 25 de agosto de 2008
S!GNOS é a mais nova exposição individual do artista plástico baiano, Guache Marques, a se realizar no dia 25 de julho de 2008 às 20h no MAC – Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira.
Sendo natural de Feira de Santana e um dos artistas representativos de uma geração das artes plásticas baianas que inclui nomes como Almandrade, Bel Borba, César Romero, Florival Oliveira, Justino Marinho, Leonel Mattos, Murilo, Sérgio Rabinowitz, Vauluizo Bezerra, Zivé Giudice dentre tantos outros, Guache foi convidado para esta exposição que comemora em grande estilo os 12 anos de fundação do MAC, criado por iniciativa do renomado artista plástico Juraci Dórea.
O Museu se tornou importante para o meio artístico local pela necessidade cada vez mais premente da inclusão de novas linguagens, por interagir com a comunidade através de visitas guiadas e por conseguir agregar o que tem de melhor na produção contemporânea na Bahia através de várias doações de artistas plásticos contemporâneos para o seu acervo dentre eles Juraci Dórea, Caetano Dias, César Romero, Justino Marinho, Florival Oliveira, Guache Marques. Hoje sob a responsabilidade da Divisão de Artes Plásticas e Literatura da Fundação Cultura Municipal Egberto Tavares Costa na pessoa de Edson Machado, fotógrafo.
Dando continuidade ao seu trabalho mais recente no qual apresenta acentuadas preocupações com a nossa identidade mestiça e nossa cultura de tradições e contemporaneidade, Guache preparou para esta mostra individual, 13 novas pinturas em técnica mista (tinta e massa acrílica sobre tela), em vários formatos, e 3 trabalhos em arte digital através de plotagem em canvas, tendo como tema central a influência africana na arte e na cultura baiana e universal, onde revisita o sagrado e o profano, e as pontes entre as linguagens da nossa formação afro-descendente. São signos, símbolos, emblemas e ferramentas de orixás, estilizados em pintura acrílica, numa mostra que enaltece sua maturidade artística conquistada nesses 34 anos de atividades.
Ultimamente se dedicando à arte digital utilizando os recursos do Photoshop, além da pintura e do desenho, Guache vem alargar ainda mais a sua atuação nas artes plásticas baianas. Já transitou por diversas técnicas como os desenhos a pastel dos anos 70 com premiações, as foto-desenhos e as gravuras no MAM dos anos 80 quando foi professor, até as também premiadas pinturas (Prêmio UNESCO/2003 – Mercado Cultural) dos anos 90 até hoje. A arte digital chega pra completar o elenco de novas técnicas e demonstrar as preocupações do artista com o seu tempo.
Da Série S!GNOS: Tribal I, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 160 x 90cm
Da Série S!GNOS: Tribal II, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 160 x 90cm
Da Série S!GNOS: Tribal II, 2008 (detalhe)
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões do original: 160 x 90cm
Da Série S!GNOS: Tribal III, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 110 x 100cm
Estudo I, 2007
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 4 de 20 x 20cm cada
Arte Digital I, 2008
Realizada com recursos do Photoshop CS2
Dimensões originais para plotagem: 160 x 90cm
Arte Digital II, 2008
Realizada com recursos do Photoshop CS2
Dimensões originais para plotagem: 160 x 90cm
Arte Digital III, 2008
Realizada com recursos do Photoshop CS2
Dimensões originais para plotagem: 160 x 90cm
S!GNO: Ferramentas de Orixás, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 160 x 90cm
Arte Digital IV, 2008
Realizada com recursos do Photoshop CS2
Dimensões originais para plotagem: 160 x 90cm
S!GNO: Ferramenta de Orixá, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110cm
S!GNO: Ferramenta de Orixá, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110cm
S!GNO: Ferramenta de Orixá, 2008
Pintura em tinta acrílica, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 120cm
S!GNOS: Ferramenta, 2005
Massa, gesso e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 40 x 30cm
S!GNOS: Ferramenta, 2005
Massa, gesso e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 40 x 30cm
Natureza mítica
Caius Marcellus Araújo / Artista Plástico, Músico
O verdadeiro tema das pinturas afro de Guache Marques não é, como se tem dito, a africanidade ou afrodescendência; o tema dessas pinturas é a cor. Os motivos afro-brasileiros podem aqui ser o assunto, um dado circunstancial, contingente, privilegiado até e tornado valioso. Contudo, um outro assunto, bem diverso do atual, desde que se prestasse aos desenvolvimentos solicitados pelo artista, poderia ter sido eleito sem que se alterasse o núcleo temático. É interessante, a propósito, notar quão facilmente alguns títulos aparentados entre si e que certamente poderiam ser substituídos sem grande prejuízo podem induzir a equívocos de interpretação, sobretudo quando, na Bahia, evocam-se as raízes, atraindo para si a atenção do interlocutor que neles procura, em vão, o sentido das obras.
É claro que não se pode ignorar a presença dos signos pintados estão aí simplesmente e, ademais, traçados com um vigor e uma clareza que preservam prontamente reconhecível a sua procedência. Restam, entretanto, formalmente depurados, não mais atrelados ao contexto original do qual foram arrancados. Do símbolo emotivo só vestígios subsistem: a abstração os esteriliza; dir-se-ia que tal símbolo é o objeto a ser consumido, e então a operação pictórica consiste em fazê-lo recuar. Agora são esqueletos sobre e em torno dos quais a cor se encorpa, expande-se e se contrai alternadamente, e arrasta consigo a luz; são esqueletos a delimitar e dar sustentação a zonas de cromatismo vibrante, quando não submergem, diluídos, à potência destas. Não é novidade, para quem o tenha seguido em sua carreira, reconhecer em Guache um virtuoso da cor, que a intensifica, fá-la persuasiva [e também, nesse sentido, barroca], não raro estridente, criando, por vezes, intumescências à superfície do quadro sem quaisquer possibilidades de neutralizar-se e apagar-se, saturando-a antes com fulgores, que são também registros termométricos desse ambiente inventado. Os signos assumem valor tectônico: já quase uma arquitetura sem massa e sem peso (pois toda a densidade se restringe à própria realidade material da pintura, sua fisicidade), estão aí para aclarar relações logo não poderiam admitir outro talhe senão o geométrico.
A associação cor-forma geométrica é histórica: dos mosaicos romanos a Mondrian, das marchetarias renascentistas à publicidade contemporânea, que técnico das artes visuais pôde ignorá-la? Esse binômio é a língua dos brasões, dos emblemas áulicos d'outrora, mas é, não menos, o das logomarcas e ícones hodiernos. Entretanto a cor de Guache não é plana nem homogênea, embora firmemente encapsulada na grade geométrica e remetida continuamente ao plano; é, ao contrário, um campo de força cuja grande intensidade vibratória se arremessa à retina do observador, num efeito devido em parte à interferência de grafismos e pinceladas distribuídos irregularmente para pôr em relação áreas contíguas que de outro modo estariam isoladas, talvez inertes. Além disso, uma cor límpida, pura, pouco se prestaria a uma abordagem fundamentalmente dinâmica (ainda que não óbvia) da pintura; e o dinamismo aí alcançado é auto-evidente.
Mas há algo em Guache que, não sendo creio intencionalmente temático, nos informa dessa africanidade que se quer encontrar nessas obras. Esse algo subjaz à sua técnica colorística: um certo predomínio do quente e do morno dado pelo amplo uso de tons terrosos, óxidos de ferro naturais ou sintéticos. São arranjos cromáticos sugestivos de sua própria origem material, da sua categoria no reino natural. E é desse ponto de vista que se poderia falar, legitimamente, em raízes, na medida em que tais relações reverberam subjetivamente, como memória afetiva duma cultura na qual uma Natureza mítica, em contraste com as atuais tecnocracias, é ecoada sem cessar.
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A Invenção do Signo I, 2007
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 120cm
A Invenção do Signo II, 2007
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 120cm
A Invenção do Signo III, 2007
Arte digital. Arquivo trabalhado com recursos do Adobe Photoshop CS2
Resolução final para plotagem: 72 dpi, 90 x 120cm
A Invenção do Signo IV, 2007
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
A Invenção do Signo V, 2008
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 120cm
A Invenção do Signo VI, 2008
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 20 x 20cm
A Invenção do Signo VII, 2008
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
A Invenção do Signo VIII, (detalhe) 1998
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões do original: 100 x 120cm
A Invenção do Signo IX, 2002
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 120cm
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Currículo Sumário
Guache Marques nasceu em Feira de Santana, 1954. Formado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da UFBA. Na década de 80 foi Professor das Oficinas de Arte em Série do Museu de Arte Moderna da Bahia nas técnicas de Xilogravura, Litogravura e Gravura em Metal. Designer gráfico.
Começou a sua carreira artística nos anos 70 ao lado de outros artistas representativos dessa geração, importante para a história das artes plásticas baianas. Tem realizado, em todas as fases por que passou, um trabalho voltado para o questionamento da condição humana e seus valores. Foi, no início, fiel ao trabalho executado sobre papel em desenhos a bico de pena, pastel seco, litogravuras, gravura em metal e foto-desenhos, passando depois à pintura acrílica como forma de expressão.
Guache Marques busca referências na cultura afro-baiana para desenvolver sua nova fase na qual tem se voltado para a interpretação desses signos, com o objetivo de ir às suas raízes para daí trazer a inspiração de todo esse imaginário, ressaltando, através da forma e da cor, o seu lado mágico-simbólico.
Exposição Coletiva Solar Ferrão
de 08 de fevereiro a 21 de março de 2007
Exposição coletiva dos artistas Juraci Dórea, Eckenberger, Guache Marques,
Ségio Rabinowitz, César Romero e Sante Scaldaferri.
Exposição Coletiva A Arte da Bossa
Casa da Bossa Preservation Hall - 15 de dezembro de 2006
Juarez Paraiso, Bel Borba, Guache Marques, Justino Marinho
César Romero, Almandrade, Márcia Magno e Sérgio Rabinowitz
Violão De Uma Nota Só, 2006
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
Exposição Coletiva Aliança Francesa
Eneida Sanches, Guache Marques e Justino Marinho
13 de setembro de 2006
A Construção do Signo, 2006
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110cm
Tribalis, 2006
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110cm
Exposição individual
Hotel Sofitel Costa do Sauípe
Projeto Arte/Sofitel da Galeria Prova do Artista
13 de julho de 2006
Signos Afro (série pequenos formatos), 2005
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 20 x 20cm
Signos Afro(série pequenos formatos), 2005
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 40 x 50cm
Série Signos, 2006
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 40 x 50cm
Série Signos, 2006
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 90cm
Série Signos, 2006
Conjunto de seis quadros de 20 x 20cm
agrupados no Adobe Photoshop
Pintura em tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 90cm
Trabalho digital elaborado a partir de fotos de máscaras africanas
com recursos do Adobe Photoshop 7.0
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Foto do artista com pintura recente nas dimensões de 140 x 140cm.
Guache Marques e a expressividade de sua pintura
ARTES VISUAIS / Aldo Trípodi
TRIBUNA DA BAHIA Terça-feira, 14 de março de 2006
Necessário que se diga que a análise crítica da obra de arte perpassa, pelos entendimentos dos problemas que cercam a criação artística, cabendo a crítica de arte formular um juízo favorável ou contrário a fim de que se possa consagrar e fazer justiça à obra de arte. Ao introduzirmos tais palavras é apenas para que possamos limpar o terreno no qual vamos pisar. Guache Marques é um destes artistas que desobriga a crítica de arte a fazer algum reparo sobre sua produção artística.
Uma trajetória histórica e um artista que sabe lidar com a matéria plástica, o que se tornam argumentos irrefutáveis, caso algum incauto deseje expressar algo que não se alinhe com a sua produção. Por outro lado fica a crítica obrigada a se manifestar, à medida em que o artista resolve muito bem os problemas da criação. Ora, não pode o artista, em seu processo criador consagrar a sua criação, quem deve afirmar a este respeito é a estética.
Por isso, sentimos a necessidade de expressar sobre seu discurso pictórico. Guache em sua fase de desenhos foi impressionante, com traços fortes, os temas por ele eleito são definidos e expressivamente humanos. Na pintura, transita sem nenhum problema pela "abstratização" gestual, incorporando texturas com uma poética invulgar. No fundo o contraste entre o preto e o branco, superposto a um corte entre tons marrons e outras cores, numa bela sinfonia.
Como também no figurativo, no qual passeia por um expressionismo surrealista, ou como no caso dos orixás onde impõe ao observador uma nítida sensação de autoridade mitológica no panteão dos deuses africanos, não banalizando o tema como outros artistas locais de mãos apressadas e turísticas reduz a possibilidade de fluir um pensamento e uma interação do que foi criado com a possibilidade de deliciosa sedução que ele sabe fazer muito bem.
Passeia pelos signos afro-baianos, pelo simbólico e mítico. Pode parecer que não define uma linguagem, ao contrário segue uma coerência estilística, somente encontrada em artistas como Sante Scaldaferri, César Romero, Juraci Dórea, Chico Liberato, Jamison Pedra, e outros que não caberiam nestas poucas letras. Este artista escreve uma história da arte baiana e brasileira, por isso justo a emissão deste nosso juízo de valor.
Guache Marques é natural de Feira de Santana, 1954, onde iniciou seus estudos preliminares sobre arte. Em Salvador concluiu, em 1980 na Escola de Belas Artes, o curso de Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia, quando foi monitor das disciplinas de Desenho Artístico e Técnicas de Representação Gráfica dos professores Ailton Lima e Jamison Pedra, respectivamente. Nesse mesmo ano começou a freqüentar as Oficinas de Arte em Série do Museu de Arte Moderna da Bahia, sob a coordenação do artista plástico e Professor Emérito da EBA-Ufba, Juarez Paraíso, como aluno e, mais tarde, como Professor Orientador nas técnicas de Xilogravura e Litogravura e Gravura em Metal.
Signos Afro, 1998
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 100cm
Máscaras Emblemáticas, 2005
Trabalho experimental realizado com recursos do Adobe Photoshop CS
baseado em pintura acrílica sobre tela
Dimensões: 400 x 800 pixel
Signos Afro, 2005
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 60 x 80cm
Signos Afro, 2005
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 57 x 66cm
Signos Afro, 2005
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 90cm
Atelier de Coreógrafos
Foyer do Teatro Castro Alves
Evento realizado em outubro de 2005
Antropo(i)lógico!, 2005
Instalação para o V Ateliê de Coreógrafos baseada no espetáculo de dança
"SELF SERVICE" do coreógrafo piauiense/holandês Marcelo Evelyn.
Pintura com tinta e massa acrílica sobre MDF (compensado)
Dimensões: 100 x 200 cada peça
Antropo-(i)lógico!, 2005
Instalação para o V Ateliê de Coreógrafos baseada no espetáculo de dança
"SELF SERVICE" do coreógrafo piauiense/holandês Marcelo Evelyn.
Pintura com tinta e massa acrílica sobre MDF (compensado)
Dimensões: 100 x 200 cada peça
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Portal Cyberartes
Visite a página contendo reportagem sobre o artista na web.
Portal de Artes Plásticas com entrevistas, dicas, curiosidades, ensinamentos técnicos
e um acervo com o nome de centenas de artistas plásticos onde são traçados seus perfis.
Tributo a Xangô, 2001
Massa, gesso e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 140 x 140cm
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Exposição Individual AFRICAE
Hotel Sofitel Salvador - 13 de abril de 2005
Hotel Sofitel Rio de Janeiro - 15 de junho de 2005
AFRICAE é a mais nova exposição individual do artista plástico baiano de Feira de Santana GUACHE MARQUES realizada no dia 18 de março de 2005 no HOTEL SOFITEL / SALVADOR e em 15 de junho no HOTEL SOFITEL / RIO DE JANEIRO, às 19 horas. Nestas mostras o artista preparou 16 pinturas em tinta acrílica em diversos formatos tendo como tema a influência africana na arte e na cultura baiana. São signos, símbolos, emblemas e ferramentas de orixás estilizadas em pinturas de cores vibrantes evocando os ritos afro e sua magia. Uma exposição que remete à ancestralidade e suas interlocuções com as diferentes épocas e movimentos, do tradicional ao contemporâneo. Guache revisita o sagrado e o profano os contatos entre Brasil e África, as pontes entre as linguagens.
Começou a sua carreira artística nos anos 70 ao lado de outros artistas representativos dessa geração, importante para a história das artes plásticas baianas e, desde o início, foi considerado um dos bons frutos daquela geração.
Formado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, começou trabalhando com desenhos a bico-de-pena, sempre centrando a sua atenção na figura humana. O lápis, o pastel seco, as foto-montagens e as inúmeras experiências com a gravura nas Oficinas de Arte em Série do MAM-Ba levaram o seu trabalho adiante e lhe proporcionaram participações e premiações em salões locais e nacionais, além de exposições individuais e dezenas de coletivas. O encontro com a pintura trouxe prestígio ainda maior ao artista e lhe valeu, recentemente, na quinta edição do MERCADO CULTURAL realizada em 2003 em Salvador, o Prêmio UNESCO de Fomento das Artes, na categoria artes visuais com Sala Especial na Mostra do Conjunto Cultural da Caixa em Salvador.
Artista consciente da importância de preservar sua autenticidade no fazer artístico, em face dos avanços tecnológicos, Guache Marques buscou referências nos signos da cultura afro-baiana para desenvolver esta fase na qual tem se voltado para a interpretação desses signos, com o objetivo de ir às suas raízes para daí trazer a inspiração de todo esse imaginário, ressaltando, através da forma e da cor, o seu lado mágico-simbólico.
Vivendo numa cidade como Salvador, onde a presença da cultura e da etnia africana é encontrada em cada esquina, em suas danças, ritos, cores e magia, não poderia deixar de me tocar com a abrangência dessa observação no meu imaginário de artista sintonizado com a minha época e sua contemporaneidade. Como diria o poeta e antropólogo Ildásio Tavares, existe uma Tradição, cumpre conhecer seus signos.
Liturgia, 2005
Tinta, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
Ferramenta de Orixá, 2005
Tinta, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
Signo Ara, 2005
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 56 x 67cm
Ferramenta de Orixá, 2005
Tinta, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
Ferramenta de Orixá, 2005
Tinta, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 66 x 77cm
Sem título, 2005
Tinta, gesso e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 80 x 80cm
Entrevista para o Correio da Bahia
Justino Marinho (Artista Plástico e Crítico de Arte / ABCA)
Justino - O que você vai mostrar nesta exposição?
Guache - Nesta mostra individual preparei 15 novas pinturas, em diversos formatos tendo como tema sugerido a influência africana na arte e na cultura baiana. Denominei "AFRICAE" que significa o termo genitivo da África-mãe. São signos, emblemas e ferramentas de orixás estilizados em pinturas de tons e cores vibrantes evocando os ritos afro e sua magia. Uma exposição que remete à ancestralidade e suas interlocuções com as diferentes épocas e movimentos, do tradicional ao contemporâneo. Revisito assim o sagrado e o profano, os contatos entre Brasil e África. Desde 1994 que venho fazendo um trabalho voltado para esta temática com várias exposições realizadas daí o convite da Galeria PROVA DO ARTISTA para realizá-la como parte do Projeto ArteSofitel desenvolvido pela mesma. Será realizada no dia 18 de março de 2005, sexta-feira, no HOTEL SOFITEL / SALVADOR às 19 horas e ficará 19 de maio. A mesma exposição seguirá para o SOFITEL do Rio de Janeiro com mais alguns trabalhos com data prevista para abertura em 15 de junho de 2005.
Justino - Como surgiram essas influências africanas no seu trabalho?
Guache - Vivendo numa cidade como Salvador onde a presença da cultura e da etnia africana é encontrada em toda esquina em suas danças, ritos, cores e magia, eu não poderia deixar de me tocar com a abrangência dessa observação no meu imaginário. Creio que todo artista baiano, consciente dessa realidade e sintonizado com o seu tempo, é tocado por esse cotidiano. Como diria o crítico de arte e poeta Claudius Portugal em um texto recente sobre o meu trabalho... "Guache reinterpreta uma cultura que nenhum de nós, aqui vivendo, podemos evitar em nossas vidas, quanto mais em nosso imaginário".
Olhando um pouco para trás encontro em trabalhos de outras fases os elementos que vieram dar na interpretação contemporânea dessa simbologia. Já fiz em xilogravura e litogravura como aluno e professor das Oficinas de Arte em Série do MAMBa na década de 80, trabalhos com essa temática. Mesmo as figuras dos meus primeiros desenhos a pastel e lápis apontavam para a necessidade de fazer uma leitura contemporânea de signos e emblemas dessa africanidade presentes aqui e ali na minha obra. O que faço é observar o cotidiano e transpor para as pinturas atuais.
Justino - Como é a experiência de tratar de um tema tão explorado e na maioria das vezes, de forma equivocada?
Guache - Embora tenha me dedicado a esse trabalho já há bastante tempo, me incomoda a idéia de ser estigmatizado apenas por essa poética, justamente por isso que você diz, mesmo tendo passado por outras fases. Temos visto apropriações do mesmo tema serem feitas por alguns e banalizadas por leituras equivocadas. Felizmente são poucos. Mas, convenhamos, todo tema tem lá suas diluições em nome de qualquer coisa, menos a arte. Até mesmo as instalações modernas se ressentem às vezes desse equívoco. Vemos nos salões por aí afora arremedos de arte feitos em nome da contemporaneidade. Um alfinete fincado na parede e lá está a grande obra, escolhida entre centenas de outras a querer nos dizer que não passamos de meros espectadores, estupefactos com os caminhos que a arte tem tomado nos últimos tempos. Uma lástima. Por outro lado vemos nesses mesmos salões vários artistas baianos sobressaírem-se também com instalações provando que o que importa mesmo é a excelência daquilo que se faz.
Em outro período da minha obra, tive uma preocupação social com os desígnios do homem contemporâneo e esta fase passou momentaneamente dando lugar à pintura. Penso com isso que nada é definitivo e, futuramente, posso me voltar em outras fases para novos questionamentos, outras poéticas.
Justino - O que é mais importante passar para o público: uma simbologia ou a vibração de um colorido que remete às origens africanas?
Guache - Os dois. Como você mesmo diz o colorido intenso remete à nossa matriz de origem africana mas, o que me atrai realmente nessa abordagem temática é traduzir a simbologia como fez o mestre Rubem Valentim. Essa é, modestamente, a minha busca. Cor e forma se misturam e daí é que nasce a pintura. Uma não viveria sem a outra nessa exposição e juntas, dão o toque de magia e mistério tão próprias das nossas manifestações religiosas e populares.
Justino - Na verdade as pessoas reduzem a África a alguns poucos símbolos de assimilação mais fácil ou a figuras humanas caracterizadas como orixás. Você esteve preocupado em buscar um conhecimento mais profundo nesse continente tão cheio de contradições?
Guache - Tal é a importância da arte africana dentro do contexto artístico brasileiro, que se criou recentemente o Museu Afro-Brasileiro em São Paulo, com curadoria do artista plástico baiano Emanoel Araújo, para mostrar e catalogar a infinidade de peças que formam um vasto acervo para futuras gerações.
Dentro de toda a iconografia e simbologia da arte africana temos a representação de vários elementos. O artista tem que apenas se inspirar e a partir deste conteúdo elaborar a sua obra única. Se assim não fosse, seria difícil termos a maravilhosa síntese emblemática de um Rubem Valentim que todos consideram um dos artistas brasileiros mais representativos ou a força criativa das esculturas monumentais dos Exus de Mário Cravo em Pituaçu e a magnífica abordagem do tema em Mestre Didi.
Me inspiro nestes mestres citados e busco dar a minha interpretação de signos indo às suas raízes, estudando e pesquisando.
Justino - A figura humana não passa mais pelo seu trabalho?
Guache - Nessa fase, até agora, não senti a necessidade de usar a figura humana. Posso até pensar nessa possibilidade futuramente. Mesmo porque sempre usei a figura humana em outras fases e numa delas cheguei a estrapolar para estereótipos e simulacros da figura, numa abstração figurativa, através do desenho da silhuetas de peixes, tudo para passar aquilo que me predispunha a fazer na época que era dar uma visão distorcida do ser humano, revelando os seus arquétipos, num mundo competitivo e desigual.
Justino - Você como um artista da geração 70, como vê esse pessoal nos dias atuais. Parece que a grande parte anda meio sumida?
Guache - Interessante a vida. Cada um no seu cada qual como diriam alguns. Os artistas são por natureza arredios e adoram viver isolados com a sua arte. Acho que acontece com todos e com os artistas da chamada geração 70, não seria diferente. Cada um está no seu atelier fazendo sua arte. Tenho acompanhado a evolução de alguns que permanecem intrépidos na sua busca por uma arte que enalteça a Bahia e a projete no cenário artístico brasileiro. E também me alegra o fato de que isto aconteça com as novas gerações em sua busca por entender um mundo cada vez mais complexo e sempre com a preocupação com o contemporâneo.
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O Porquê dos Signos
Guache Marques
Creio que todo artista preocupado com as suas raízes deve procurar fazer um trabalho voltado para esses questionamentos mesmo que não seja este o seu enfoque principal. Deve-se fazer uma viagem às tradições, ao que se tem de melhor na cultura do lugar em que se vive para daí elaborar um trabalho mais abrangente. Muitos artistas baianos fizeram este percurso e temos bons exemplos: Rubem Valentim (já falecido), Calazans Neto, Mário Cravo Jr., Juarez Paraiso, Mestre Didi, só para citar alguns mestres, construiram e ainda constroem a sua obra com olhos voltados para esta identidade. Fazem a sua arte com olhos voltados para nossa gente, nossa cultura. Estes artistas cada um à sua maneira, contribuiram com a sua arte para um entendimento dessas raízes. Isto acontece em qualquer dos estados brasileiros. Onde quer que se vá, lá estará um artista fazendo um trabalho que interprete suas raízes. Tanto em Pernambuco com Brenand, Samico entre outros como São Paulo e Rio com Guerchman, Portinari... O leque é extenso e abrange várias gerações.
Me insiro no meio desses abnegados pela cultura local porque entendo que o artista brasileiro, ao interpretar seu povo e suas tradições, está fazendo também uma arte universal, contanto que dentro dos parâmetros modernos e contemporâneos.
The Roots and Contemporary
Ildásio Tavares / Jornalista, Poeta e Crítico de Arte
There is something in Guache`s painting that pleases me a lot, something T. S. Eliot wanted the modern language to do: being the tip of an iceberg. An iceberg moves with dignity because only 1/8 of its mass is above the surface of the water. Thus, Guache`s painting, behind its apparent simplicity and linearidade, contains one of the most important characterristics of post modern art, a link and a compromise with the roots, that is, a travel to the ground to plant on it the base of an imaginário that conceives always a consisting contour, configuration. Guache does not build castles in the air, there is a tradition, one has to know na understand it.
We go back to the eternal discussion about form and content, language and theme a problem that is solved in Guache very well, since the sobriety of the shades, that creates a mystic atmosphere, until the harmony of the composition. The artisan is at the service of the artist and together they work to produce a painting in which we can see technical refinement, an effort that is made in order to turn the ideas into colors, the colors put on the form, the form acquires the volume. That is painting, a dense and tense one, in which the artist, in a very peculiar manner, goes through a way that led others to the fountain of the magic and the mystery, to put them in the universe of art, never in folklore.
Signos: Emblemas da Africanidade, 1997
Tinta e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 100cm
The Arts Signics of Guache Marques
Claudius Portugal / Poeta e Crítico de Arte
Some arts are silent, some step on the ground with the sound of barefeet, some bite, sometimes them-selves, and some arts look at us, they make us look at them and, from this relation, they become real so that all the aspects of their existence are perceived. In short, they are not a deaf landscape. Sua arte não é ouvir a água pela água. They show us that the human nature still pulsates, pulses, palpitates and that hours prepare the shout.
That is what Guache Marques tell us: our relacion with his art must cross the profundity of his expression, a journey in which techniques were created and some other assim; - lated from the pen and ink drawing, from the pencil and pastel drawing and from pintura acrilica. Looking for the best way to express his feelings and thoughts, Guache went from the paper to the canvas. The human being was his theme, the human being in a social context. Throughout the years the artist, little by little, abandoned figurativismo and approached an abstractionism full of afro-brazilian signs, symbols, both the religious and the profane. He reinterprets a culture that none of us inhabitants of Bahia, can avoid in our lives, let alone in our imaginário.
However, we can not think Guache only appropriated elements and simbols to produce a superficial painting. In his production there is a mimetic, rhetorical and decorative representation, for he is seeking for the best manner to interpret Bahia, himself, and his art in Bahia. This is done in a tension atmosphere produced by a strong and vivid drawing in a space full of red and yellow, a space preceded by a dual and black / white space. We notice in Guache`s art a dialogue between the lines of his drawing and carthy colors, a dialogue on a surface full of details. Icons and gestures confering a permanent erotic tension that in the beginning was aggressive, explicit and today is subtle and suggestive, almost a liturgy of the artist with his art and the things of his city. It is in this erotic territory that Guache`s painting intervenes with much intensity in the art of his generation and in the art of Bahia. This is his signature. His land, his information. He feeds on it.
His art is impregnated of human aspects, valorizes them, since its birth it is in the search of a way to produce art without settleing in any port, for each technique and moment invites him to discover new things and make us become accomplices of his search and of the way he looks at life. For this reason there is no silence in his artistic universe. Guache shows us, through his paintings, that the wind is not enough to make the music exist. The word has to be strongger. A corporal language, with all colors na lines, is necessary.
O Signo Ancestral, 1998
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 100 cm
Trabalho de 1998. Pintura em tinta acrílica e massa acrílica evocando signos da cultura afro-descendente. Este quadro em 2001, foi doado ao GACC (Grupo de Apoio à Criança com Câncer, entidade filantrópica com sede em Salvador) para ser leiloado e revertida a sua renda para os trabalhos filantrópicos desta instituição.
O Encontro com a Pintura
Justino Marinho / Artista plástico e Crítico de Arte
Guache Marques deu a largada da sua carreira nos anos 70 e, desde o início, foi considerado um dos bons frutos daquela geração para as artes plásticas na Bahia. Formado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, começou trabalhando com bico-de-pena, sempre centrando a sua atenção na figura humana. O lápis, o pastel seco e as inúmeras experiências com a gravura nas Oficinas de Arte em Série do MAM-Ba levaram o seu trabalho adiante e lhe proporcionaram participações e premiações em salões locais e nacionais, além de exposições individuais e dezenas de coletivas.
O encontro com a pintura trouxe prestígio ainda maior ao artista e lhe valeu na quinta edição do MERCADO CULTURAL, realizada no mês de dezembro de 2003 em Salvador, o Prêmio UNESCO de Fomento das Artes, na categoria artes visuais com Sala Especial na Mostra do Conjunto Cultural da Caixa em Salvador. A UNESCO costuma escolher um grande evento mundial para realizar tal premiação. Desta vez, foi oferecida aos participantes do V Mercado Cultural, escolhidos por um júri formado por integrantes de várias partes do mundo.
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Série de trabalhos executados a partir de arquivos digitais obtidos de quadros de outras fases abrangendo pinturas, desenhos a pastel seco mesclados com gravuras, foto-desenhos, texturas de pinturas em tinta acrílica, etc. Estes são os primeiros de uma série que só agora se inicia. Os arquivos se encontram disponíveis para plotagem e posterior vendagem em tiragem limitada se assim for o caso. Todos os direitos reservados. Copyright by Guache Marques, 2004.
1. Cabeças Convulsas, 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 80 x 60 cm
Resolução original de 100 dpi
2. Totem Humano, 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 80 x 60 cm
Resolução original de 100 dpi
3. Cabeças Convulsas II, 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 80 x 60 cm
Resolução original de 100 dpi
4. Figura Soturna, 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 80 x 60 cm
Resolução original de 100 dpi
5. Figura e Alegoria , 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 0,80 x 0,60m
Resolução original de 100 dpi
6. Série Signos, 2003
Arquivo trabalhado com os recursos
do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões do arquivo: 0,80 x 0,60m
Resolução original de 100 dpi
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V Mercado Cultural
Um dos principais espaços para discussão de políticas públicas e privadas na área cultural no Brasil, o Mercado Cultural, é uma iniciativa que dá espaço a talentos, amplia o engajamento cultural, promove trabalhos artísticos, dá visibilidade à cultura e oferece oportunidades de intercâmbio artístico e cultural, além de desenvolvimento profissional.
A programação do evento compreende mostras artísticas, incluindo música, dança, teatro e artes visuais, conferências, encontros, workshops e a FALA - Feira de Artes e Oportunidades, voltada à realização de negócios. O evento recebe participantes de diversos países da Europa, Ásia, América e África, interessados em conhecer uma produção autoral de alta qualidade e discutir as novas perspectivas culturais no mundo.
O V Mercado Cultural acontecerá de 2 a 7 de dezembro de 2003 em Salvador, Bahia, e reunirá artistas, expositores, jornalistas, autoridades e agentes culturais, vindos dos cinco cantos do mundo, criando espaços para diálogos, troca de idéias e conhecimentos e gerando grandes oportunidades de negócios.
Diálogos no Tempo
O Tema do V Mercado Cultural remete à ancestralidade e suas interlocuções com as diferentes épocas, fase e movimentos, do tradicional ao contemporâneo.
Estaremos visitando, portanto os territórios e os contatos entre eles. Entre o Brasil e uma África pulsante, entre estes e uma América Latina não estereotipada, entre estas e outras regiões do planeta, as novas geografias construídas pelas migrações das culturas.
Desde o princípio, revisitaremos a arte no tempo, o sagrado e o profano, as pontes entre as linguagens e a transmissão de conhecimentos. A faísca da criatividade que, em todos os tempos, ilumina o coração do planeta e aponta para o futuro.
O tempo é um orixá cultuado em vários terreiros do candomblé da Bahia. No Parque de São Bartolomeu existe uma pedra a ele consagrada. Em quase todos os terreiros, tempo é cultuado juntamente com Obaluaê e Oxumaré e partilham do mesmo altar. Tempo seria o correspondente a Oxossi na mitologia Bantu, o que o coloca em contato direto com os mistérios da floresta, da natureza.
Sintonizado com o tema do V Mercado Cultural, o artista plástico Guache Marques realiza uma exposição que remete à ancestralidade e suas interlocuções com as diferentes épocas e movimentos, do tradicional ao contemporâneo. Ele revisita o sagrado e o profano os contatos entre Brasil e África, as pontes entre as linguagens e a transmissão de conhecimentos.Guache iniciou sua carreira artística nos anos 70 e é um importante nome nas artes plásticas baianas.
Trabalhos expostos e premiados no V Mercado Cultural
Sala Guache Marques - Prêmio de Fomento das Artes - UNESCO
Conjunto Cultural da Caixa - Salvador - BA
Da Série Signos Afro: Portais e Flechas, 2003
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110 cm
Da Série Signos Afro: Ferramenta de Exu, 2003
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 110 cm
Da Série Signos Afro: Exposição em Homenagem à Caribé, 2003
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 140 x 70 cm
Da Série Signos Afro: Portal, 2003
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 140 x 140 cm
Da Série Signos Afro: Ferramenta/Exu, 2002
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 150 cm
Da Série Signos Afro: Peji, 2002
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 150 cm
Da Série Signos Afro: Ferramenta/Exu, 2002
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 100 x 150 cm
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Depoimento para Catálogo da Exposição
"450 Anos da Cidade de Salvador"
Nascido em Feira de Santana, Salvador foi a cidade que escolhi para morar, fascinado por sua beleza geográfica, seus encantos e seus aspectos culturais. Desde o tempo da Escola de Belas Artes até hoje, são quase trinta anos dedicados à arte e aos prazeres de uma capital que acolhe bem a todos aqueles que nela buscam inspiração. Aqui se respira africanidade e, assim como muitos outros artistas brasileiros, reconheço o alcance universal dessa cultura. Por isso, na fase atual, o meu trabalho tem se voltado para a interpretação dos signos afro, ressaltando o seu lado mágico-simbólico. A intenção é ir além da simples representação, procurando passar nas pinturas atuais, de texturas e cores vibrantes, toda a aura de magia e mistério que me servem de inspiração, numa leitura contemporânea. E são trabalhos desta e de outras fases que são mostrados aqui neste Blog, traçando um painel representativo do artista.
Signos Afro: Peji, 1998 detalhe)
Tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Tamanho original: 100 x 100 cm
Pinturas Recentes de Guache
Claudius Portugal / Crítico de Arte e Poeta
É assim que Guache Marques nos avisa: nossa relação com sua arte deve atravessar a visceralidade de sua expressão, um percurso onde técnicas foram desenvolvidas e outras assimiladas. Do bico de pena, pastel seco e lápis até a pintura acrílica: do suporte do papel para a tela como uma necessidade para exprimir sua representação plástica, tendo como começo o ainda aluno da Escola de Belas Artes; do desenho, iniciado com distorções gráficas, tendo como base forte conotação realista, centrado na figura humana diante uma temática de conteúdo social, e que chega hoje a um abstracionismo com o referencial nos signos afro-brasileiros, sejam religiosos ou profanos, reinterpretando uma cultura que nenhum de nós, aqui vivendo, podemos evitar em nossas vidas, quanto mais em nosso imaginário.
Mas não imaginem que em Guache Marques temos um simples apropriar-se de signos e elementos para uma pintura oca. Nele não há uma representação mimética, retórica, decorativa, pois sua busca nesta pintura tem por objetivo uma leitura da Bahia e de si mesmo, a sua arte nesta Bahia, onde o espaço dual branco/preto do começo de carreira foi substituído por um vermelho/amarelo, sustentado pelas curvas internas de suas linhas através de um desenho que mantém-se vivo, forte, imprescindível, necessidade orgânica para uma criação que existe basicamente no diálogo entre este desenho e as cores terrrosas sobre uma superfície altamente detalhada de ícones e gestos, para realizar, principalmente, o que podemos assinalar como tensão permanente, e isto em todos os seus períodos ou fases, que é a erotização - eminentemente sugestiva, plástica, quase que uma liturgia do artista para com sua arte e as formas de sua cidade. É neste território erótico que a pintura de Guache intervém com todas as suas medidas na arte de sua geração e na arte baiana. Esta é a sua assinatura. Sua terra bruta, sua informação. É dela que se nutre e se constrói, anteriormente pelo desenho explícito, agora pelo irradiar das cores em linhas ovaladas de portais e flechas.
Pintura
Signos Afro: Peji, 1999
Massa acrílica e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 1,40 x 1,40m
Um texto para Guache
Washington Queiroz / Poeta e Antropólogo
Um texto feito nos anos 90 e que até hoje reflete bem o que penso que deva ser
para as artes plásticas o artista e sua obra. Sem maiores pretensões.
Que texto? Um texto sobre a sua última produção? Sua obra? Um texto? Ah, sim, a necessidade da crítica. Necessidade para quem? Para a arte? Para o artista? Não 'velho' Guache. Não e não. Essa coisa de crítica de arte tem muita gente especializada, muita gente entendida (...), especialistas que são em ver na arte o que o próprio artista não se propôs a mostrar. E com todo um vernáculo e seus prosaicos modismos pós-ultra-modernos prontos a discernir sobre a produção artística que se lhe apresenta e a cunhar e criar expressões como arte matérica, desmaterialização da arte, instalações e outros derivados do gênero etc. Só para contrariar o poeta Ezra Pound, são eles - os críticos, e não os artistas- que são as antenas da raça. (Em determinadas situações o ato contestatório torna-se meramente desnecessário).
Guache Marques? Eu o conheço desde o Grupo Escolar General Osório, em Feira de Santana. E lá se vão mais de trinta anos! E desde esta época acompanho, como amigo, o seu trabalho e ao homem - um que não se rendeu ao fácil mundo do ovo babado; do sucesso comprado, do lobismo. Antes se resignou numa intrépida lida com a sua criação à qual vem dedicando toda a sua vida, muitas vezes sou testemunho - com grande sacrifício pessoal. Muito menos preocupado com o seu acontecer (na mídia) para o mundo das artes plásticas brasileiras, e muito mais firmemente voltado para um certo altruísmo em relação ao seu semelhante, indicando, com sua arte uma catarse com que objetiva chamar a atenção do homem para o seu lado mais esconso e vil.
Guache Marques (sua obra) em nenhum momento se rendeu ao mercantilismo subserviente tão em voga em nossa época, em nosso país. Não, está firme, amparado na sua opção: sua arte. E fora dos mecanismos de que muitos fazem uso para alcançar o glamour dos grandes círculos e salões sociais. Guache é desses a que Drummond de referia como aqueles que não negociam o sangue. Pois que sem este sangue é como se sua arte empalidecesse e não pudesse empunhar a bandeira dos inegociáveis - da própria arte, sem palavrórios ou concessões. Sem texto.
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Signos Afro, 2004
Arte digital usando recursos do Adobe Photoshop 7.0
Dimensões: arquivo Jpeg com 500 pixels de largura
Trabalho realizado em Arte Digital que representa a junção de vários "momentos" presentes em trabalhos executados em outras fases.
Signos Afro, 1998 (detalhe)
Tinta acrílica e massa acrílica sobre tela
Dimensões: 1,50 x 1,00m
O trabalho acima foi realizado em 1998 e fez parte da exposição individual realizada na Galeria ACBEU no mesmo ano. Coloquei o detalhe, assim como acontece com outros trabalhos meus neste blog, porque sinto a necessidade de, cada vez mais, dar um "close" para sintetizar mais a linguagem e a leitura dos mesmos. Esta prática acontece não por acaso. Arte é síntese e vejo que este tem sido o caminho dos grandes mestres que buscaram depurar seus símbolos e ícones, estabelecidos em sua trajetória, amadurecendo, consequentemente, sua obra e seu estilo. Porque não segui-los. Fica a experiência de perseguir sempre um ideal, que, muitas vezes, estão bem ali à nossa frente e não percebemos.
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Signos Afro, 1998 (detalhe)
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 1,00 x 1,00m
Da Raiz à Contemporaneidade
Ildásio Tavares / Poeta, Jornalista e Crítico de Arte
Me apraz na pintura de Guache Marques sua determinação de ser isto que T. S. Eliot cobrava da linguagem moderna, a ponta de um iceberg. A dignidade de movimento de um iceberg deve-se a que apenas 1/8 de sua massa está acima da superfície. Assim, a pintura de Guache, por detrás de sua aparente linearidade e economia, aponta para um dos traços mais marcantes do pós-moderno, que é o compromisso dialético com a raiz, ou seja, a viagem ao chão para plantar o suporte de um imaginário que resulta sempre num contomo consistente; nada de castelos no ar - existe uma Tradição, cumpre conhecer seus signos.
E aí voltamos à eterna querela de forma e conteúdo, linguagem e temática, binômio que se resolve em Guache com bastante organicidade, desde a sobriedade dos tons, quase monocromáticos, a envelopar com precisão o clima - semduvidamente místico - até a harmonia de composição, onde forma e volume dimensionam o desenho: há densidade e carinho e o artesão Guache pôs-se por inteiro a serviço do pintor e de todo seu processo de ideação, seleção e combinação iconográfica para o faturamento do discurso pelo apropriado da linguagem. Vale a pena saber o esmero técnico, o cuidadoso apuro para que a idéia se torne cor, a cor se vista de forma, a forma adquira volume. Isto é pintura.
E no caso de Guache Marques pintura densa, tensa, em que com acentos muito pessoais, ele trilha o caminho de outros que foram às fontes da magia e do mistério para enfeixá-los na tela, na tinta, na estesia, na arte. Jamais no folclore.
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Da Série Signos Afro, 2000 (detalhe)
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 1,10 x 1,00m
A Pintura de Guache Marques
Matilde Matos / Crítica de Arte e Membro da AICA E ABCA
Artista consciente da importância de preservar sua autenticidade no fazer artístico, em face dos avanços tecnológicos, Guache Marques buscou referências nos signos da cultura afro-baiana para desenvolver esta série de quadros de 1998.
Nas composições que estrutura dentro do espaço de cada tela, não é a forma explícita dos signos africanos que revelam o tema. Sua experiência anterior com o surrealismo o ensinou que importante é passar a impressão de algo que tenha a ver com o seu sentir em relação ao tema. Seus trabalhos desta série revelam o que é real para ele na nossa cultura: a força da fé e do rito que paira entre o sensual e o espiritual, o sincretismo religioso que nos leva a ver em torno das formas monumentais e icônicas, uma auréola sacra que tanto envolve o peji quanto o santuário.
O recurso maior que caracteriza sua linguagem está no modo de trabalhar a pintura. A estrutura inicial que define cada quadro serve de âncora e dá o sentido de movimento e equilíbro, mas toda a atmosfera do conteúdo quem faz são as cores e a incrível textura, trabalhada, cavada na camada de gêsso e massa acrílica que faz sua pintura matérica, onde vai jogando a tinta em veladuras até ela ir tomando corpo, as nuances surgindo entre saliências e reentrâncias.
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Da Série Signos Afro, 2001 (detalhe)
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: original em losango 1,40 x 1,40m
Algumas considerações sobre as pinturas
de inspiração afro-brasileira
Guache Marques
O conteúdo do meu trabalho, de início, primava por um enfoque social, tendo a figura humana como elemento central desse discurso. O caminho para realizar este trabalho era a linguagem surrealista em desenhos a bico de pena, a pastel seco e lápis, em litogravuras e, mais recentemente, em pintura acrílica. Sempre priorizei a condição humana, mesmo quando me utilizei de técnicas tendendo para o abstrato, observando sempre a questionável inseparabilidade entre forma e conteúdo.
A necessidade interior de buscar novas formas de se expressar, ver e sentir o mundo ao redor, e a própria evolução das artes plásticas com seus ismos recentes, desmaterializações, instalações, interatividades, vídeos e performances, fazem com que o artista se volte para a sua própria arte, num reestudo das várias fases por que passou e procure nela os elementos que possam lhe configurar uma nova etapa sintonizada com essa evolução. Na minha pintura isto se dá através da necessidade de encontrar o motivo fértil numa busca constante de referências dentro da nossa própria cultura, para daí elaborar algo novo. A intenção é ir além da simples representação, procurando passar toda a aura de magia e mistério, numa leitura contemporânea.
Vivendo numa cidade como Salvador, onde se respira africanidades, eu teria que reconhecer o alcance universal dessa cultura, entendendo que todo artista que aspira desvendar a autêntica natureza das coisas tem que buscar as suas raízes.
Nunca é demais salientar a importância que assume, para nós baianos e brasileiros, o envolvimento de tantos artistas com um tema tão rico em seus matizes e exuberante em suas formas e cores como é a própria Bahia.
Emblemas da Africanidade
Justino Marinho / Artista Plástico e Crítico de Arte
Guache Marques, artista que começou a carreira nos anos 70 ao lado de Murilo, Zivé Giudice, Florival Oliveira, Bel Borba, Leonel Matos, Almandrade, Angela Cunha e tantos outros representativos dessa geração, foi no Início, fiel ao trabalho executado sobre papel em desenhos a pastel, passando depois à pintura como forma de expressão.
Nos trabalhos atuais de Guache Marques, a figura propriamente dita, desapareceu, deixando um grafismo, realizado de forma pessoal, no qual transparece a simbologia do misticismo baiano. As cores estão cada vez mais vibrantes e diversificadas e o apuro técnico segue o seu ritmo cada vez mais atraente. Nessa sua fase atual, signos afro-brasileiros misturam-se a cores terrosas e juntam-se a uma textura que, sem dúvida, lembra a marca modernista. A textura agora utilizada lembra ainda, o couro tão usado pelos vaqueiros, em suas lembranças da criança, nascida na região de Feira de Santana. Na verdade, a pintura executada por Guache é tensa e forte na expressão e guarda coerência com tudo que ele tem feito no decorrer de sua carreira.
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Desenhos a Bico de pena
O período que antecede o ingresso na Escola de Belas Artes da UFBa, em 1974, é quando são executados os trabalhos em bico de pena, técnica usual entre vários artistas da época. O realismo fantástico era o estilo em voga nas artes plástica e Guache desenvolveu, durante algum tempo essa técnica por suas afinidades com o desenho, tendo, inclusive, em 1978, ganho o 1º Prêmio no Salão Baiano de Artes Visuais com a série de trabalhos intitulada: "Mãe Terra", Mãe Útero" e Mãe Dor, consolidando-se numa técnica de difícil fatura, tendo ilustrado também com o seu trabalho, diversos livros de poesia.
Bico de Pena
Desenho a nanquim da série Mãe Útero, Mãe Terra, Mãe Dor, 1977
Dimensões: 0,80 x 0,70m
Trabalho premiado no I Salão de Artes Visuais no Foyer do TCA
Desenhos a Pastel Seco
O tempo que o artista passou na Escola de Belas Artes, de 1974 a 1980 fazendo o curso de Artes Plásticas, coincide com a produção dos trabalhos na técnica do pastel seco e lápis Caran D`ache. Trata-se de uma técnica difícil de ser executada considerando-se o desenho como a base da formação de todo artista, e Guache utilizou-se não só do papel como suporte, reinventando diversas maneiras na sua utilização.
Unicórnio, 1982
Desenho a pastel e Lápis caran D'ache sobre papel
Dimensões: 0,60 x 0,80m
Da Série Arquétipos e arquetípicos, 1984
Desenho a Pastel seco, lápis Caran D'ache,
utilizando borracha e verniz
Dimensões: 1,20 x 1,00m
Gravuras
De 1980 a 1985, Guache frequentou, como aluno e logo após como Professor, as Oficinas de Expressão Plástica (hoje Oficinas de Arte em Série) do Museu de Arte Moderna da Bahia sob a coordenação do artista plástico Juarez Paraiso. Neste período, após um curso ministrado pelo renomado gravador do Rio de Janeiro, Antonio Grosso, executou diversas gravuras, notadamente litogravuras, técnica que mais o atraiu pelos recursos de desenho, e as possibilidades que ele encerra.
Totem Humano, 1983 - Dimensões: 050 x 0,30m
Xangô, 1984 - Dimensões: 0,70 x 0,40m
Litogravuras realizadas nas Oficinas de Expressão e Arte do
Museu de Arte Moderna da Bahia em 1983
Foto-desenhos
Em meados da década de 80, Guache interessou-se por um trabalho que despisse o ser humano das suas vicissitudes e o colocasse na berlinda, mostrando o seu lado esconso, animal, escondido sob uma capa de civilidade. Daí nasceu um trabalho voltado para esse questionamento. Utilizou-se para isso de figuras hieráticas, fruto de uma pesquisa feita a partir da observação da silhueta de peixes, perfilados em fotos que, uma vez trabalhadas com nanquim, lápis grafite e tinta acrílica, davam uma visão distorcida do ser humano, revelando os seus arquétipos. Uma das fases mais instigantes do artista, que num discurso áspero e sem concessões estilísticas, dava sua interpretação da realidade do homem desse final de século.
Foto-desenhos / Da série Arquétipos e Arquetípicos, 1983
Trabalhos elaborados a partir de fotografias de silhuetas de peixes trabalhados com
lápis grafite, nanquim e tinta gouache sobre papel fotográfico retocado a lápis Caran D'ache
Foto-desenhos / Da série Arquétipos e Arquetípicos, 1983
Trabalhos elaborados a partir de fotografias de silhuetas de peixes trabalhados com
lápis grafite, nanquim e tinta gouache sobre papel fotográfico retocado a lápis Caran D'ache
Pinturas
As Pinturas vieram a fazer parte da obra do artista na década de 90, com o interesse cada vez maior por novos materiais e suas diversas configurações. Técnicas que se aproximavam do desenho e do tema dos trabalhos mais recentes do artista, foram assimiladas. As pinturas realizadas por Guache, nesse período, se revestem de um aprimorado estudo da temática afro-brasileira onde magia e mistério lhe servem como fontes constantes de inspiração.
O estudo da temática afro-brasileira no qual o colorido intenso aliado à técnica de alto nível, valoriza o universo do misticismo baiano. Esta é a nova fase de Guache. Graças a excelente grafismo, o trabalho de Guache Marques transcende a simples representação. Ele mostra, com sucesso, uma leitura contemporânea do cotidiano onde magia e mistério lhe servem como fontes constantes de inspiração.
Risoleta Córdula
Crítica de Arte Membro da AICA France
Signos Afro, 1998 (detalhe)
Massa e tinta acrílica sobre tela
Dimensões: 1,00 x 1,50m
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Pronunciamento Câmara de Vereadores
Javier Alfaya / Representante do PC do B na Câmara Municipal de Salvador e
Presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer
O artista plástico Guache Marques notabilizou-se no meio artístico baiano graças à originalidade e ao inusitado dos seus quadros. Buscando referências na cultura afro-baiana e aproveitando a sua esperiência anterior com o surrealismo, o artista tematiza uma das grandes riquezas baianas: o sincretismo religioso.
Não se procure na sua pintura a representação explícita dos signos africanos: a sua linguagem registra impressões, seu olhar sobre o real, o cotidiano.
Por essas razões, a nova fase de Guache exposta na Galeria ACBEU (13 de novembro de 1998), merece ser valorizada e apreciada. Trata-se de uma grande riqueza artística, razão pela qual a Câmara Municipal de Salvador registra votos de louvor ao pintor e
reconhecimento ao seu talento que tanto honra os soteropolitanos.
Galeria de Imagens
Trabalhos feitos a Bico de Pena coloridos no Photoshop 6.0
Ilustrações para livros de poemas e cartazes
Dimensões: Original 0,30 x 0,21m
Da Série Realismo Fantástico, 1977
Desenhos a Bico de Pena (nanquim)
coloridos no Adobe Photoshop 7.0
Dimensões: 30x40cm
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